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A justiça tarda, mas não falha
A cela que se chama lar
Não é todo dia que um ex-presidente ganha de presente uma tornozeleira eletrônica novinha. Mas Jair Bolsonaro, sempre tão à frente do seu tempo, conseguiu esse mimo jurídico com direito a prisão domiciliar decretada pelo Supremo Tribunal Federal, neste dia 4 de agosto de 2025.
Ah, o lar! Esse doce lar… Que ironia: quem tanto bradou por liberdade, agora não pode nem atender a campainha sem autorização judicial. Quem dizia que "só Deus" o tiraria da cadeira presidencial, acabou mesmo sendo removido por um ser quase divino, Alexandre de Moraes, de toga, caneta bic e a Constituição na mão.
O capitão agora repousa em seu castelo, com todo conforto que um condenado em potencial pode ter. Isolado, sem celular, sem redes sociais, sem contato com quem não seja parente ou advogado, uma verdadeira quarentena moral, só que sem a desculpa de um vírus.
E pensar que ele sempre defendeu o armamento da população. No fim, a única arma que não soube desativar foi a própria língua. Foi justamente por falar demais, por enviar recados em vídeos e discursos proibidos, que trocou a retórica por restrição. Quem diria que o verbo “calar” também se conjugaria no presente do indicativo?
Agora, resta-lhe o silêncio, esse velho inimigo dos populistas. E nós, do lado de fora, assistimos à cena com uma mistura de espanto e alívio: afinal, quantas vezes a Justiça no Brasil pareceu surda, cega e muda? Desta vez, não. Desta vez ela usou óculos, escutou tudo com lupa e falou em voz alta, e quem respondeu foi a tornozeleira apitando.
É bonito ver a balança da Justiça pesando do lado certo, nem que seja por um instante histórico. Bonito como ver um reality show reverso: o ex da República agora confinado, vigiado, recluso, mas sem precisar passar pelo paredão do povo, só pelo voto de um ministro.
E que fique claro: não se comemora a desgraça de ninguém. Mas há que se reconhecer o sabor agridoce de ver a lei funcionar para todos, até para quem se achava acima dela. Bolsonaro, enfim, foi colocado no seu devido lugar: em casa. Não por escolha, mas por ordem. Não como líder, mas como suspeito. Não como mártir, mas como alguém que abusou da liberdade e agora prova do gosto do limite.
No fim das contas, o capitão está onde sempre quis estar: cercado, vigiado e longe da imprensa. Só esqueceu de avisar que o quartel-general seria a própria sala de estar.



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