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Como as culturas populares morrem
A Morte Lenta das Culturas Populares no Mundo Globalizado
As culturas populares carregam consigo histórias, memórias e modos de vida que nasceram da relação direta entre o povo e seu território. Elas são expressões vivas de resistência, de ancestralidade e de identidade coletiva. No entanto, em um mundo dominado pela cultura global de massa, essas manifestações correm o risco de desaparecer ou serem reduzidas a meros produtos de consumo.
A morte de uma cultura popular não acontece de forma súbita; ela é lenta e silenciosa. O primeiro golpe costuma ser a desvalorização simbólica. Quando a mídia, as instituições e até as escolas passam a considerar que a verdadeira “cultura” é aquela importada e uniformizada, as expressões locais são vistas como folclore ultrapassado, algo que pode ser mostrado em festas turísticas, mas que não tem espaço no cotidiano.
O segundo golpe vem com a lógica do mercado. A cultura de massa global tem força porque transforma tudo em mercadoria. Ao mesmo tempo em que absorve elementos das culturas populares, esvazia-os de sentido. O ritmo, a dança, a comida, a fala de um povo podem até ganhar projeção internacional, mas já não pertencem mais a quem os criou. Tornam-se produtos embalados para consumo rápido, desconectados das histórias e das comunidades que lhes deram vida.
Por fim, o golpe mais profundo: a perda de continuidade. Quando as novas gerações, influenciadas por uma avalanche de padrões globais, deixam de ver sentido em aprender e praticar a cultura de seus ancestrais, a transmissão se rompe. O que antes era vivido como prática cotidiana passa a ser apenas memória.
A morte das culturas populares não é natural nem inevitável; é resultado de políticas de invisibilização, de interesses econômicos e da ausência de valorização da diversidade cultural. Resistir significa fortalecer espaços de vivência, garantir que as comunidades sejam protagonistas e que suas expressões não sejam apenas lembradas, mas vividas. Porque, no fundo, uma cultura só morre quando deixa de ser praticada pelo povo que a criou.
Texto: Prof. Me. André Silva



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