TJPA decreta prisão preventiva do prefeito de Santa Maria do Pará e outros três investigados por esquema de corrupção
O Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), por meio da Seção de Direito Penal, decretou a prisão preventiva de quatro investigados suspeitos de integrar um esquema criminoso de corrupção, fraude à licitação, peculato e lavagem de dinheiro no município de Santa Maria do Pará, no nordeste paraense.
A decisão foi proferida pela desembargadora Eva do Amaral Coelho, relatora do processo nº 0824408-84.2025.8.14.0000, atendendo a pedido do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). O procedimento tramita em sigilo absoluto (nível 5).
Investigados presos
Tiveram a prisão preventiva decretada:
• Creone de Araújo Chaves Góes, apontado como principal operador financeiro do esquema;
• Alcir Costa da Silva, prefeito de Santa Maria do Pará;
• Cláudio Ribeiro Pereira Júnior, coordenador do Controle Interno do município;
• Fábio Júnior Carvalho de Lima, assessor jurídico da Prefeitura.
Segundo o MPPA, a investigação revelou a existência de uma organização criminosa estruturada, com divisão de funções entre empresários e agentes públicos, que atuava na manipulação de processos licitatórios, uso de empresas de fachada, superfaturamento de contratos e pagamento de propina.
Papel do esquema
De acordo com a decisão judicial, Creone de Araújo Chaves Góes controlava diversas empresas registradas em nome de terceiros, utilizadas para firmar contratos fraudulentos com a prefeitura. Apenas entre 2023 e 2024, uma dessas empresas teria recebido mais de R$ 4 milhões em contratos públicos.
O prefeito Alcir Costa da Silva, conforme os autos, teria exercido papel central no núcleo político-administrativo da organização, autorizando contratações irregulares, recebendo vantagens indevidas — inclusive em espécie — e orientando fraudes documentais para viabilizar os desvios.
Já Cláudio Ribeiro Pereira Júnior e Fábio Júnior Carvalho de Lima são apontados como facilitadores do esquema, atuando na simulação de licitações, elaboração de pareceres jurídicos para dar aparência de legalidade aos contratos e liberação de pagamentos suspeitos.
Medidas determinadas pela Justiça
Além das prisões preventivas, o TJPA determinou:
• Afastamento cautelar das funções públicas de Alcir Costa da Silva, Cláudio Ribeiro Pereira Júnior e Fábio Júnior Carvalho de Lima, pelo prazo inicial de 180 dias;
• Busca e apreensão domiciliar e pessoal em diversos endereços residenciais, comerciais e públicos, incluindo o gabinete do prefeito de Santa Maria do Pará;
• Apreensão de documentos, computadores, celulares, mídias digitais, valores em espécie e outros bens;
• Autorização para acesso a dados armazenados em nuvem dos dispositivos apreendidos;
• Proibição de contato entre os investigados e com testemunhas.
Fundamentação
Na decisão, a desembargadora destacou que a permanência dos investigados em liberdade representaria risco concreto à ordem pública, à instrução criminal e ao erário, além de possibilitar a continuidade das práticas criminosas. A magistrada ressaltou ainda que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes diante da reiteração delitiva e da sofisticação do esquema.
O caso segue sob sigilo judicial, e novas informações deverão ser divulgadas após o cumprimento das diligências determinadas pela Justiça.
Observação: A entrada dos agentes na Câmara municipal de Santa Maria do Pará foi apenas entregar a documentação do afastamento do cargo.
O Portal segue acompanhando o caso.



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