Pastor, de 85 anos, é denunciado por abuso sexual

Por Alexandre Meireles 10/06/2021 - 20:40 hs

As igrejas são vistas, pela maioria dos fiéis, como local de refúgio e proteção. Porém, em alguns casos, os templos se tornam verdadeiros cenários de crimes cruéis, onde a maioria das vítimas é silenciada por medo de julgamentos e de "castigos" divinos. 

Os casos de abusos sexuais envolvendo líderes religiosos não são novidade. Um pastor evangélico, identificado como Joaquim Golçalves Silva, de 85 anos, foi denunciado pelos crimes de abuso e importunação sexual. Ao menos quatro mulheres que teriam sido vítimas do religioso fizeram a denúncia. 

De acordo com as denúncias, os casos aconteceram entre os anos de 2002 e 2021, durante atendimentos no templo da Igreja Tabernáculo da Fé, em Goiânia. As vítimas iam até o local para receber conselhos, mas acabaram sendo abusadas, de acordo com as denúncias. 

Segundo a defesa do pastor, as acusações são mentirosas e têm o intuito de tentar retirar o pastor do comando da igreja. "É um barulho de uma família que busca derrubar o pastor, mas não vão conseguir, ou seja, não é verdadeiro", afirmou o advogado do religioso. 

As vítimas contaram que os abusos ocorreram em momentos em que elas estavam frágeis e foram até o religioso para pedir conselhos. Elas ainda relataram que após os abusos, o pastor chantageava as vítimas para não contar a ninguém. Caso revelassem algo, as mulheres seriam "amaldiçoadas". 

Uma adolescente de 17 anos está entre as vítimas. Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, ela enunciou o abuso que sofreu. A jovem contou que o religioso chegou a beijá-la no escritório onde ele atendia fiéis, quando a mesma foi pedir ajuda sobre o seu casamento que estava em crise. O caso aconteceu em janeiro deste ano. 

“Fui pedir conselhos depois de ter problemas no meu relacionamento. Foi quando ele colocou a mão no meu corpo e me deu um beijo. Passou a mão pelos meus seios e desceu até embaixo, quando eu o interrompi. Eu fiquei em choque, nunca na vida eu esperei isso dele”, contou.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil. Uma investigação também foi aberta pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), por meio do promotor de Justiça Joel Pacífico de Vasconcelos. Ele está apurando as denúncias das vítimas.