Assassino escolheu creche porque vítimas eram alvos fáceis

Por Alexandre Meireles 14/05/2021 - 17:38 hs

Oautor do ataque à creche que deixou cinco mortos na cidade catarinense de Saudades, na manhã do último dia 4, queria matar o máximo possível de pessoas, planejou o atentado desde o ano passado e agiu sozinho. Em coletiva de imprensa concedida nesta sexta-feira (14), a Polícia Civil explicou que Fabiano Kipper Mai, de 18 anos, escolheu a creche Pró-Infância Aquarela porque seria um alvo mais fácil para ele. 

“Ele deixou bem claro que foi pela fragilidade das vítimas no local. Isto mostra que o autor foi covarde, pois foi contra crianças e mulheres que não tinham como se defender”, afirmou o delegado Jerônimo Marçal Ferreira na Delegacia Regional de Polícia em Chapecó.

O anúncio do encerramento do inquérito ocorreu na manhã de hoje e agora o caso segue agora para as mãos do Judiciário e o Ministério Público.

O delegado comentou que suspeito tinha consciência do que fez em Saudades. "Ele tinha consciência do que fez e de que foi errado. Isto mostra também que era uma pessoa normal. Ele agiu consciente do que fez o tempo todo. Foi um crime premeditado”, frisou a autoridade.

“A raiva dele era contra qualquer pessoa que ele atacaria em algum momento. A intenção dele em um primeiro momento foi contra pessoas que tinham certo convívio com ele”, observou, acrescentando que a raiva foi descarregada em quem não tinha nenhuma ligação com o jovem. “Foi com inocentes...um ato mais covarde ainda. Ele tem sim que ser responsabilizado pelos crimes graves e cruéis que cometeu no dia 4”, disse. “Era uma pessoa normal, tinha autodeterminação desde o princípio. O planejamento dele deixou muito claro: ele sabia o que estava fazendo”, concluiu.

Motivação 

Segundo Jerônimo Marçal, o autor da chacina era uma pessoa isolada e com dificuldade de relacionamento. Citou como exemplo que o rapaz sequer jantava na mesa com a família e ficava todo tempo no quarto.

“Nos últimos tempos, ele cada vez mais foi se isolando no mundo dele”, sintetizou. “Família, colegas de escola e trabalho... ninguém tinha ideia, ninguém sabia o que se passava na cabeça dele e o que ia acontecer...Ele nunca demonstrou, nunca exteriorizou…”, assinalou.

“Ele começou a ter contato com muitos materiais e ideias violentas, com pessoas sentimentos e pensamentos ruins. Tinha acesso a muito conteúdo inapropriado e contato com pessoas que pensavam como ele. Começou a alimentar este ódio a ponto de querer descarregar em alguém. Não era alguém específico...era um ódio generalizado “, afirmou o delegado.

Investigação 

A investigação contou com os depoimentos de 20 pessoas e análise dos laudos periciais do material apreendido na residência do agressor. Houve ainda o interrogatório com o acusado quando estava hospitalizado, mas cujo teor não foi divulgado.

“Basicamente ele confessou crime e admitiu todo planejamento e que agiu sozinho. Não há qualquer indicativo de que alguém tenha o auxiliado”, enfatizou o delegado. 

Com a prisão preventiva decretada, Fabiano Kipper Mai deve permanecer no presídio até a data do julgamento. A Polícia Civil indiciou-o por cinco homicídios triplamente qualificados e uma tentativa de homicídio triplamente qualificada.

Vítimas 

As vítimas foram a professora Keli Adriane Aniecevski, 30 anos; a agente educadora Mirla Amanda Renner Costa, 20 anos; além dos bebês Sarah Luiza Mahle Sehn, de um ano e sete meses; Anna Bela Fernandes de Barros, de um ano e oito meses; e Murilo Massing, de um ano e nove meses. Todas foram golpeadas até a morte.