Sobre as ofensas ditas por secretários à mulher em Santa Maria do Pará, o que dizem as autoridades do Município?

Por Alexandre Meireles 17/08/2021 - 09:22 hs

No dia 11 de agosto o Secretário de Saúde de Santa Maria do Pará ofendeu uma mulher usando palavras depreciativas e desrespeitosas como: “vagabunda de 5º categoria, pilantra, prostituta, bandida, pano de chão, ‘tu é a mosca da merda do cavalo do bandido’, verme, filha da p*”, essas são palavras do Advogado Jorge Alexandre, mas conhecido como Dr. Reca, responsável pela secretaria de Saúde de do Município de Santa Maria do Pará, Nordeste do estado.

Na sexta feira, 13, foi registrado dois boletins de ocorrências, um contra Dr. Reca e outro contra Diego Freitas, Secretário de Meio Ambiente ambos pelo mesmo motivos, posturas machistas e misóginas.

Já no sábado dia 14 a líder do movimento de Mulheres do Nordeste Paraense, fez seu pronunciamento em redes sociais, segundo ela após cobranças de seu posicionamento.

A Câmara Municipal de Santa Maria do Pará, através Procuradoria da Mulher emitiu uma nota de repúdio.

“Por meio de nota de repúdio e solidariedade à vítima divulgada na última sexta-feira, assinada pela presidente da Procuradoria, vereadora Kate Monteiro (PT) e sua vice, vereadora Vânia do Simeão (PL), a entidade feminina do Poder Legislativo de Santa Maria do Pará informa que “rechaçamos todo tipo de violência contra as mulheres, e consideramos que a violência e o machismo são as ferramentas que mais impedem que elas alcancem os espaços de poder e decisão”. E que “esse tipo de agressão mostra a face da violência que as mulheres sofrem diariamente”.

A nota da entidade legislativa afirma, ainda, que “a postura machista e misógina do secretário de Saúde de Santa Maria do Pará (que ainda permanece no cargo sob a proteção do prefeito Alcir Costa) revela verdadeira ofensa a todas as mulheres”.

Até agora o Prefeito do Município de Santa Maria do Pará Alcir Costa ainda não se manifestou em suas redes sociais.

A Diretora do Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense Anaíse Patrícia Nascimento, quebrou o silêncio após três dias e sob pressão dos santamarienses, resolveu se pronunciar, porém com um discurso vazio, isento e que ao mesmo tempo coloca homem e mulher em um mesmo patamar social.

Professora Anaíse começa dizendo que o foco principal do trabalho desenvolvido em Santa Maria do Pará pelo movimento é no âmbito da violência doméstica (Maria da Penha), logo em seguida disse que a violência veio de ambos os lados (se referindo ao ocorrido). “Nós não temos que nos pronunciar numa briga entre duas pessoas por questões políticas” disse Anaíse.

Segundo pesquisas publicadas no ano de 2019, cerca e 500 mulheres foram agredidas fisicamente a cada hora em 2018 no Brasil. Ainda de acordo com a pesquisa realizada pelo instituto DataFolha, em 2018, 16 milhões de mulheres acima de 16 anos sofreram algum tipo de violência: 3% ao se divertir num bar, 8% no trabalho, 8% na internet, 29% na rua e 42% em casa. O número de agredidas fisicamente alcança quase cinco milhões de mulheres, uma média de 536 mulheres por hora em 2018; e 177 espancadas.

Vejamos! Como está a participação feminina no processo político do País? Ao verificar esses dados em uma breve pesquisa no Google, vemos o quanto são alarmantes esses dados. “No Brasil pouco mais de 10% dos deputados federais são mulheres. Ocupamos o 154º lugar entre 193 países do ranking, à frente apenas de alguns países árabes, do Oriente Médio e de ilhas polinésias. Por essa baixa na participação feminina no processo, em pleno ´século XXI ainda convivemos com a chamada cota de gênero, que obriga a reserva de no mínimo 30% de vagas para cada sigla que pleiteia uma eleição. A realidade de 30% é obrigatória apenas para as campanhas, mas, no resultado das urnas esse número cai exacerbadamente ficando entre 15 ou 20%.

“Mas foi dos dois lados também né gente! ”

Veja o vídeo


O homem sempre ocupou os espaços públicos e a mulher por sua vez o lugar de subserviência, entendo que é difícil para um homem levado pelo seu machismo ver uma mulher, simples, pobre, fazer uma oposição forte, ao ponto de incomodar quem estar na zona de conforto do poder público. Sob a ótica do machismo é só uma mulher! Mas que tem exercido o seu direito assegurado pela democracia. O direito ao voto e, a participação política foi o objetivo de muitas gerações de mulheres ao longo de décadas, hoje podemos entender que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive na política.