Campanha da Fraternidade: O racha do catolicismo brasileiro causado pela ideologia política

Por Alexandre Meireles 13/05/2021 - 16:48 hs
Campanha da Fraternidade: O racha do catolicismo brasileiro causado pela ideologia política
Edição de fotografia: Rubenilson Miranda/Revisão textual: Reinara Nascimento

Em relação aos outros anos, você ouviu falar intensamente da Campanha da Fraternidade (CF) deste ano de 2021?

Talvez sim, talvez não, subjetivamente, depende muito de onde você estar inserido, pois, este ano diversas dioceses do Brasil não aderiram a CF. Imagino que você deve ter ouvido falar muito nos ritos teológico-litúrgicos próprios do tempo quaresmal, como era de costume e assim chegou-se ao final da CF 2021.

A CF foi criada na década de 60 com intuito de arrecadar fundos para as atividades assistenciais, porém, se você fizer uma pesquisa rápida na internet vai ver que há divergência clerical, começando pelo auto escalão. Para muitos o verdadeiro espírito solidário se perdeu. Não obstante, ao olhar o histórico do movimento é perceptível as mudanças a começar pelos temas, o que mudou radicalmente na década de 80, onde, a partir de então, a CF deixa de ser “mais solidária” e passa a ter também carácter político.

O Brasil do Século XXI carrega o pesado fardo de lotear seu povo por esquerda e direita, dois extremos que levantam uma questão antiga, porém factual e contemporâneo; um discursão clichê, que voltou a acender no país e atinge todas as esferas da sociedade, inclusive a igreja. É perceptível a ideologia política sobre os altares e discursos de várias paróquias estereotipadas por algumas palavras como: Ecumenismo, comunismo, petismo, bolsona ismo etc... Note que pouco se ouve as palavras caridade, fraternidade, doação, amor, entre outras.

Com o tema “Fraternidade e Diálogo” a Igreja deixou claro que existe uma lacuna entre líderes da maior instituição religiosa do mundo.

Encabeçada hoje pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é evidente que quem idealiza a campanha é o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC). A CF deste ano de 2021 enfrentou dificuldades justamente naquilo se propôs, “o diálogo”. A ideia era trazer para o centro da conversa grupos menos favorecidos, porém o tiro saiu pela culatra, deixando bem claro: “Os mais religiosos ainda são os maiores opressores da contemporaneidade”.

Nas minhas pesquisas sobre o tema observei que a Pastora Romi Backer atual secretária da CONIC esteve durante todo esse período de campanha no centro das atenções e acusações como de pro aborto, defensora da ideologia de gênero, feminista e tantas outras, posicionamentos não tolerados por cristãos mais radicais. Veja, o CONIC é composto por, apenas igrejas não tradicionais, Aliança de Batistas do Brasil, Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e Igreja Presbiteriana Unida; cadê a Assembleia de Deus nesse pacote? Cadê a Igreja Universal? São respostas que continuam de forma intrínsecas em nossas razões e leva-nos a imaginar em um complô de conveniências, subjetivamente. 

Acoplado a esse monte de coisas vem a teologia da libertação, o que abre as portas para as ideologias políticas que operam em alta no Brasil. O bolsonarismo tem como um dos principais campos, as igrejas, foi lá que ele ganhou forças, primeiro por perpetuar os jargões opressores, como ofensas as causas minoritárias, os exacerbados enaltecimentos à família tradicional, amor à Pátria, entre outros. A teologia da libertação na prática não existe mais, porém, sua filosofia ainda é um carma para aqueles que tem medo do comunismo e socialismo.

Aos seguidores de Cristo, não vejo uma filosofia que chegue mais próximo daquilo que viveram os primeiros cristão, a não ser as ideologias pregadas pelas manifestações, “em tese”, do Socialismo e comunismo.

 

“Em nome de Cristo, que é a nossa paz!

Em nome de Cristo, que a vida nos traz

Do que estava dividido

Unidade ele faz! ”.

 

Dom Adair José da cidade de Formosa-GO, deixou bem claro, “aqueles que querem velejar contra a doutrina da igreja não terão as suas empreitadas bem-sucedidas, quem estar fora do rumo, quem não segue as sagradas escrituras, a tradição e o magistério ordinário da igreja bate com a cabeça no muro, como tem batido a teologia da libertação”. Ora! Mt Cap. 12;25 diz que:  "Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. ”.

Outros taxam a CF/2021 em que o texto da cartilha, segundo eles, tem contornos progressistas. Ataca a “necropolítica” brasileira, defende os povos indígenas, critica os altos índices de feminicídio e pede que a população LGBTQI+ seja acolhida. Valores comuns nos dias atuais que foram negados por quem mais se esperavam ver com as bandeiras hasteadas.

Em suma, fica claro que o diálogo entre a igreja e o povo menos favorecido deverá continuar zero, podemos, então, entender o motivo que muitos religiosos estavam desejando a morte ou matando integrantes da comunidade LGBTQI+.

Vamos dialogar?!