UMA REFLEXÃO SOBRE O AMOR

CRÔNICA DO GRANDE

Por Alexandre Meireles 15/05/2020 - 08:16 hs

        O conteúdo que acompanharemos a seguir não é daqueles que no final da leitura se diz: amei! Seu caráter reflexivo, talvez jogue por “água abaixo” as concepções trazidas de berço, contudo, sua capacidade e intenção, é no mínimo, de despertar o senso crítico em cada leitor para essa temática.

        O amor, é sem dúvida nenhuma um dos sentimentos mais estudados por cientistas e acadêmicos do mundo inteiro. Durante toda minha vida debrucei boa parte do meu tempo, tentando entender como? para quê? por que o amor tem essa importância toda para a humanidade? afinal, imagina-se, que todas as pessoas estão vivendo ou tentando encontrar uma razão para chamar de amor. Seria carência? Descontentamento com um cenário pessoal? Solidão? Nunca consegui chegar ao denominador comum ou algo mais óbvio capaz de satisfazer minhas respostas.

        Em contato com a religião (Cristianismo) fui ensinado que Deus é amor e lançando um olhar crítico a Jesus, o Cristo e seu gesto de morrer na cruz não tem como não consagra-lo, porém, há muitas coisas a se contestar mediante ao mesmo Jesus que era o verbo, e que posteriormente no texto do evangelho de João assume a responsabilidade por toda a criação, já vista que toda as coisas foram feitas por ele, já que o verbo era Deus que por sua vez veio ao mundo revertido de filho. Ora, o mesmo Deus do amor se mostrou em muitas passagens do livro sagrado, intolerante e incapaz de ser contestado pelos seus amados, ué! O amor não suporta tudo? enfim, discutiremos esse mérito em uma outra oportunidade, a devida menção foi apenas para elucidar os fatos, pois, a Priore há uma divergência daquele que seria a excelência do amor em espécie.

        Quem também aventurou-se a conceituar o amor foi Luís Vaz de Camões em sua obra Os Lusíadas, que de forma catedrática em um soneto recheado de figuras, atreve-se à tornar mais emblemático este sentimento. A definição apresentada pelo referido autor é muito lembrada todas as vezes que questiona-se sobre o amor.

         O texto do autor Português se enquadra perfeitamente como figura de sentido, sendo classificado como um paradoxo, afinal, via de regra, se o amor é fogo que arde, evidentemente dói e alguém senti, o que não fica evidente no contexto; e o que seria um contentamento descontente? Pode-se dizer que existe uma anomalia nas sentenças, algo traz a sensação de conforto à leitura, mas que observado com atenção, os critérios não condizem perfeitamente para um entendimento, o que traz ao leitor uma sensação de que o amor não é “para ser compreendido, mas sim para ser vivido”, em uma “ótica” bem clichê.

Pensando por esse viés, as investidas lançadas aqui no sentido de qualificar o tal sentimento emblemático fica sem sentido, se levarmos em consideração esta efêmera interpretação.

         Em uma análise mais profunda, algumas partes do texto camoniano, ainda poderiam se encaixar perfeitamente no campo das metáforas, partindo do pressuposto de que, esta é formada a partir da supressão de conectivos que formam a comparação e no campo das exatas diz-se que: “a ordem dos fatores não altera o produto” e aqui a intenção é tentar desconceituar o amor e não lançar um olhar técnico.

        Mas afinal o que é o amor? Seria um sentimento perfeito, eterno, uma sina, ou algo capaz de ser construído no campo da razão? Ou um sentimento que cria raízes e que, quando verdadeiro vai "brotando no peito” daquele que se propõe à amar? Vamos em busca das respostas!

        Há diversas maneiras para enxergar este fenômeno e, para os romancistas do campo sentimental, o amor seria uma escala superior capaz de subestimar a paixão, dando a ela um caráter pejorativo, pragmático ao contrário da desvalorizada paixão, o amor serial capaz de suportar as intemperes da vida sem se romper, ou quebrar qualquer laço afetivo.

        Há quem debruce um olhar racional sobre a mesma realidade - “quem ama cuida”, quem ama protege, “e coisas tal...” Por essa visão o amor está em uma estância superior capaz de dominar os outros sentimentos, ele está além homem, mas ao mesmo tempo pode ser regado e cuidado para que, sempre ocupe sua cadeira cativa, por essa formula amar seria uma missão fácil. Todavia, não consigo ver amor verdadeiro sem que flua da razão, pois só de forma racional o ser humano pode conviver com o contraditório, por conseguinte, o perdão é fruto da compreensão ou da aceitação e sem perdão não há amor entre a humanidade, pois o homem deixa a desejar, ou seja, sem o raciocínio o amor já nasce fadado a derrota.

        A seguir, uma visão bem distinta de tudo o que se viu sobre o amor, ao contrário do que a canção oceano de Djavam prega, o amor é uma zona de conforto onde toda a humanidade deseja deleitar-se em suas sombras, assim é definido por muitos. Djavam pensa diferente, ver no amor uma instabilidade constante, como estar no deserto, onde a incerteza toma conta do ser humano. No deserto há medo: de falta de água, do sol escaldante durante o dia, do frio exorbitante a noite, de animais predadores, enfim...  A experiência da solidão provocado pelas terras longínquas pode ser igual ao ato de amar. “Cá com meus botões...” Porque amar é um deserto e seus temores? Amar é viver em uma perspectiva de perda e de desamor?

Sem querer cair na tentação de voltar a conceituar ou crucifica-lo novamente, o amor deixa rastros, porém desde que, vivido com intensidade, talvez por isso acostumamos a desvalorizar a paixão.

Diante dos fatos analisados, agregamos que, quem estar à amar, este, comete a ação do verbo, único e verdadeiramente responsável por conjuga-lo, levando em consideração a capacidade de sempre estende-lo a outros ou a intensidade de amar de forma mais profunda; sem perspectivas, não há como viver o amor de forma retroagida, deve-se levar em consideração o presente e sem pensar no futuro. E, voltando ao deserto talvez a certeza ou a dúvida, a rigidez, a parceria, a ordem ou até mesmo a compreensão nos leve a conjuga-lo, tão somente no tempo presente. Assim fica entendido a flexão ou melhor, a reflexão sobre o amor.

Troncando em miúdos, entende-se que estas razões são incapazes de qualificar a palavra amor, já vista que, milhares de definições foram elencadas no intuito de compreende-lo.

Se você diz eu amo, a atitude tem que ser sua, não espere do outro.

Viva o amor!!!